Lembranças.

Hoje mais uma vez eu lembrei de você. Dessa vez foi um pouco diferente.. Não senti sua falta, não tive vontade de te ligar pra ouvir a sua voz, não tive vontade de te procurar pra saber se está tudo bem. Apenas lembrei de você. Lembrei do quanto era bom aquela nossa época em que nada mais importava pra nós além de nós duas. Lembrei daquela nossa primeira troca de olhares, da primeira conversa, do primeiro beijo, da primeira vez que andamos de mãos dadas... Lembrei do quanto era maravilhoso quando não ouvíamos as fofocas e éramos só nós. Eu e você, juntinhas. Lembrei principalmente do sexo que só nós duas fazíamos em que só de encostar tua mão na minha, já saía faísca.
Nós tínhamos uma conexão inexplicável.. Você lembra?
Lembra que quando nossos olhares se cruzavam a gente sentia um friozinho na barriga louco mesmo depois de tantos anos juntas? Você lembra disso tudo?
Os dias sem você têm sido difíceis, meu amor. Tenho enganado a mim mesma diariamente fingindo estar tudo bem, sempre com um sorriso no rosto e pronta pra ser o ombro de qualquer amigo, quando na verdade ninguém sabe que quem precisa de um ombro, sou eu.
Sentir tua falta dói. É como se tivessem arrancado meu coração de dentro do peito e ele pegasse fogo lentamente, pouco a pouco, dia após dias cada vez mais... Não te ver dói. Não ter notícias suas faz eu me sentir como se estivesse agonizando pela vida, ainda acordada nesse mundo. Num mundo sem você.
Já se passou um mês desde que nossos caminhos seguiram trilhos diferentes e dissemos o então adeus que estávamos adiando a tantos anos pra dizer, e desde então não tive mais notícias suas. Você mora no final da minha rua mas sua vida sempre foi tão ocupada que nunca tive a honra de te ver passar por aí, nem que por um segundo. A parede da minha casa que tinha seu nome foi pintada esses dias e aquela era a única recordação que eu tinha de você. A única coisa que me deixava próxima de você, que sempre me lembrava que um dia eu amei alguém, foi coberta por uma camada grossa de tinta escura, como se até mesmo o meu vizinho quisesse que nosso amor fosse apagado.. Assim como o teu nome foi.
E eu tentei... Olha, eu juro que tentei te apagar de dentro de mim assim como fizeram no muro. Tentei te cobrir com outras pessoas, tentei pintar esse sentimento de cinza -você lembra o quanto eu odeio cinza, né?- e guardar bem lá no fundinho.. Mas eu não consegui. Queria que fosse fácil te apagar de dentro de mim com a facilidade que seu nome se perdeu da minha vista sem nem ao menos eu tocá-lo pelo última vez ao entrar ou sair de casa.
Te amar ainda, dói. Te amar ainda dói.
Dói porque não te tenho mais aqui. Dói porque perdi não só o amor da minha vida como também minha melhor amiga e companheira, a única pessoa que eu confiava, mesmo com todos os erros.
E olha só que contraditório... Comecei esse texto falando que não sentia sua falta mas lembrei que ainda sinto sim e não tem porque mentir pra mim mesma.
Morro de vontade de ficar na porta da sua casa esperando você chegar, de te ligar, de te mandar ao menos um oi mas meu lado racional não me permite. Ainda bem, né?
E esse vai ser mais um texto daqueles em que escrevo, escrevo, escrevo mas nunca te envio.

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